Freud, ou melhor, Jung, explica

By lucasuyezu

Uma coisa que sempre me encacucou a mente foi o fato de muitas pessoas, em todas as áreas profissionais, mudarem de personalidade quando ingressam em uma profissão, ou quando atingem (ou pensam que atingem) proficiência na mesma. Boa parte dessa gente faz pior que isso, indo e voltando entre as aparências conforme bem lhes interessa.

E eis que esbarro nesse texto escrito por C. G. Jung, discípulo de Freud, que diz o seguinte:

… .Um exemplo comum é o da identidade destituída de humor, que muitos homens estabelecem com sua ocupação ou seus títulos. O cargo que ocupo certamente representa minha atividade particular; mas é também um fator coletivo, historicamente condicionado pela cooperação de muitos e cuja dignidade depende da aprovação coletiva. Portanto, se identificar-me com meu cargo ou título, comportar-me-ei como se fosse o conjunto complexo de fatores sociais que tal cargo representa, ou como se eu não fosse apenas o detentor do cargo, mas também, simultaneamente, a aprovação da sociedade. Dessa forma me expando exageradamente, usurpando qualidades que não são minhas, mas estão fora de mim. “L’état, c’est moi”, é o lema de tais pessoas.

Recentemente meu chefe disse que todo mundo devia fazer terapia. Cada dia que passa concordo mais com ele.

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